Fundação Champalimaud lança uma “pedrinha” no novo edifício da saúde no Algarve

Município de Loulé investe 17 milhões no sector da saúde. A construção do novo Hospital Central continua na lista de espera do Governo.

É visto como um passo «importantíssimo» em todo o projeto do Algarve Biomedical Center (ABC). A reputada Fundação Champalimaud assinou esta quinta-feira, 20 de Fevereiro, protocolos de colaboração com o ABC, consórcio que junta a Universidade do Algarve (UAlg) e o Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA). A ideia passa pela partilha de conhecimentos e de formação, com vista a melhorar a ligação entre a investigação e a prática. 

O momento decorreu no Palácio Gama Lobo, em Loulé, o concelho que vai acolher os dois edifícios do Algarve Biomedical Center: um em Loulé, outro em Vilamoura. O próprio Município, de resto, é parceiro de todo o projeto, investindo uma verba de 17 milhões.

Ao Sul Informação, Nuno Marques, presidente do ABC – Algarve Biomedical Center, começou por explicar que, desde o início, este consórcio e a Fundação Champalimaud «têm tido preocupações muito semelhantes».

«Isso passa, por exemplo, por unir a investigação, que é feita na área da saúde, passando-a à prática clínica. As duas instituições, tendo o mesmo pressuposto em termos de investigação, formação e melhoria dos cuidados de saúde, resolveram unir esforços e estabeleceram um acordo de colaboração que visa essas três áreas, estando continuamente em colaboração», acrescentou.

Por isso, foi assinado um protocolo «específico» em que, já a partir de agora, os «nossos investigadores vão começar a colaborar com os investigadores da Fundação, numa parceria estratégica».

«Acreditamos que da ligação entre as duas realidades e, sobretudo, no relacionamento entre os protagonistas dos dois lados, sairão progressos importantes para que a luta contra a doença tenha maiores êxitos», sublinhou Leonor Beleza, na sessão em Loulé.

No fundo, pretende-se «fazer a ponte» entre cientistas (os laboratórios) e médicos – «profissionais de áreas teoricamente diferentes mas que confluem para que os cuidados de saúde (quer de prevenção, quer de tratamento) sejam melhores».

«O que está previsto é essa articulação e uma partilha. Vamos ter investigadores da Fundação Champalimaud a virem cá colaborar e vice-versa: é uma troca mútua para formações conjuntas», explicou, por sua vez, Nuno Marques ao nosso jornal.

No âmbito desta parceria, por exemplo, arrancam já em 2020 vários cursos de pós-graduação organizados pelo ABC e dirigidos aos investigadores da Fundação Champalimaud.

Mas e o que será este projeto do ABC? Na prática, haverá a construção de dois edifícios: o ABC Loulé Health Research Center, na sede do concelho, com 3500 metros quadrados, e o ABC Active Life, em Vilamoura (4000 metros quadrados).

Por outro lado, o projeto visa também a descentralização de serviços de instituições de caráter nacional da área da saúde, como o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e o Infarmed, para o Algarve. Ou seja: o que será transferido são apenas alguns serviços das instituições e não a sede destas.

No edifício de Loulé, que ganhará o nome do algarvio José Mariano Gago, será instalado o Banco Público de Células do Cordão Umbilical, que atualmente está no Porto. Mas não será só esta a valência, de grande envergadura, a ser lá instalada. Também a Seroteca Nacional terá a cidade louletana como sede, bem como o Centro de Estudos de Segurança dos Medicamentos e Dispositivos Médicos.

Neste âmbito, também será desenvolvido, a partir do ABC Loulé Health Research Center, um Sistema de Interações Medicamentosas.

Quanto ao Centro de Investigação Entomológica do Algarve, também a ser instalado em Loulé, vai estudar as doenças transmitidas pelos mosquitos.

Ainda no edifício da sede de concelho, nascerá o Biobanco do ABC, que possibilitará investigações inovadoras, a Unidade de Farmacovigilância do Algarve e Alentejo, um polo da Agência Nacional da Investigação Clínica e Inovação Biomédica e um Centro de Investigação Clínica do ABC.

Em Vilamoura, passará a funcionar o Centro Active Life do ABC, uma valência que se focará na promoção da vida ativa, muito voltado para a terceira idade.

Depois de ter sido apresentado publicamente em Maio do ano passado, tudo está, neste momento, «na fase dos projetos de arquitetura que estão quase finalizados».

O objetivo é lançar a obra «ainda este ano», garantiu Nuno Marques ao nosso jornal, deixando também elogios à Câmara de Loulé.

«Esta aposta começa também a ver-se noutros lados, com a recente aprovação da criação do Centro de Saúde universitário. O concelho está aqui a ganhar um protagonismo nacional na área da saúde», considerou.

Ainda assim, quem ganhará «será toda a região».

«Esperamos que haja um melhor acesso aos cuidados de saúde porque estes projetos são, também, a base da fixação de bons profissionais», concluiu.

Para Vítor Aleixo, autarca de Loulé, este momento bastante significativo constituiu «mais uma pedrinha num edifício ambicioso, num projeto muito específico orientado para a investigação científica, para a inovação e para a diversificação da base económica da região do Algarve com o Algarve Biomedical Center».

Já o reitor da Universidade do Algarve Paulo Águas considerou que a relação entre a Universidade do Algarve e o Centro Hospitalar permitiu, desde logo, «uma aproximação entre cientistas e médicos».

Quanto a esta «comunhão de interesses» entre a Fundação Champalimaud e um centro académico faz todo o sentido por haver «interesses comuns que devem ser explorados e potenciados».

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